ANM interdita complexo minerário Gongo Soco, da Vale, por risco de rompimento

SÃO PAULO (Reuters) – A Agência Nacional de Mineração (ANM) determinou a interdição do complexo minerário Gongo Soco, da Vale (SA:VALE3), no município de Barão de Cocais, devido a riscos de rompimento iminente do talude da cava da mina, segundo comunicado nesta sexta-feira.

A mineradora disse na noite de quinta-feira que está monitorando a estrutura 24 horas por dia e que “existe a possibilidade de deslizamento do talude norte da cava“, mas destacou não ver evidência no momento de “processo de deformação na barragem“.

Cerca de seis milmoradores de Barão de Cocaisestão dentro da zona secundária de salvamento (ZSS). Neste perímetro, a onda de rejeitos pode chegar em cerca de uma hora e 12 minutos. Outros 443 moradores da zona de autosalvamento já foram retirados de suas casas em fevereiro, quando o nível de segurança da barragem foi elevado para 2. Já em março a estrutura entrou em alerta máximo de rompimento com o nível elevado para 3.

Moradores das proximidades da mina já foram evacuados da região ainda em fevereiro, após um alerta de risco, mas na ocasião a Vale afirmou que a medida era preventiva e ocorreu após consultoria negar declaração de estabilidade da barragem.

ANM interdita complexo de Gongo Soco por risco de rompimento em Barão de Cocais.

A ANM afirmou que foi acionada pela Vale em 13 de maio, acrescentando que o talude norte da cava da mina está se deslocando a uma velocidade de 5cm por dia, o que poderia levar a um rompimento do talude “entre os dias 19 e 25 de maio” caso a aceleração continue.

O chefe da Divisão de Segurança de Barragens de Mineração da ANM, Wagner Nascimento, explicou em nota:

“É bom lembrar que o que corre risco de rompimento é o talude da cava e não a barragem, que fica a 1,5 km de distância da cava. O risco é que a vibração gerada pelo rompimento do talude seja gatilho e influencie na segurança da barragem Sul Superior. Mas isso não se tem como prever”.

Porção do talude norte que apresenta maior deformação (região em laranja) da Mina Gongo Soco - Foto: Vale/Divulgação

A ANM afirmou que também notificou a Vale e determinou que a empresa tome providências emergenciais, como suspender imediatamente o tráfego do trem de passageiros no trecho do viaduto próximo à jusante da cava, monitorar por vídeo em tempo real as barragens e o deslocamento do talude e apresentar estudo de comportamento da possível onda gerada pelo rompimento do talude norte, avaliando seu impacto.

A ANM disse que há possibilidade de a vibração do impacto do rompimento do talude não afetar a estrutura da barragem. Caso ela se rompa, no entanto, a onda de inundação chegaria em Barão dos Cocais em cerca de uma hora.

A agência destacou ainda que a zona de auto salvamento – onde não é possível realizar resgate imediato pela Defesa Civil – já foi evacuada desde fevereiro.

Em nota, a Vale disse que tem mantido as comunidades locais informadas sobre a situação do talude da mina e que realizará um simulado de emergência com moradores no sábado. A empresa também disse que a mina está paralisada desde 2016.

Neste sábado (18) será realizado um novo simulado em Barão de Cocais para orientar os 6 mil moradores da zona secundária, dentro da área urbana da cidade.

 

Fontes: Agência Reuters, Agência Brasil de Notícias, Portal G1 e Investing.com

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