Petrobras quer vender 8 refinarias, reduzir fatia na BR e negociar postos no Uruguai

RIO DE JANEIRO (Reuters) – O Conselho de Administração da Petrobras (SA:PETR4) aprovou nesta sexta-feira novas diretrizes para a gestão do portfólio de ativos da companhia, considerando a venda de oito refinarias, de sua rede de postos no Uruguai e de participação adicional na BR Distribuidora (SA:BRDT3), segundo fato relevante ao mercado.

Juntas, as refinarias que devem ser negociadas somam capacidade total de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia, disse a Petrobras, acrescentando que no caso da BR Distribuidora encontra-se estudo realização de oferta secundária de ações (follow-on).

As novas orientações sobre os desinvestimentos são parte do processo de elaboração do Plano de Negócios e Gestão 2020-2024 da petroleira, que afirmou que o documento deve ser aprovado e divulgado no quarto trimestre.

Os ativos de refino incluídos no programa de desinvestimento serão Abreu e Lima (RNEST), Unidade de Industrialização do Xisto (SIX), Refinaria Landulpho Alves (RLAM), Refinaria Gabriel Passos (REGAP), Refinaria Presidente Getúlio Vargas (REPAR), Refinaria Alberto Pasqualini (REFAP), Refinaria Isaac Sabbá (REMAN) e Lubrificantes e Derivados de Petróleo do Nordeste (LUBNOR).

Mais cedo, a Reuters publicou que o conselho da Petrobras havia aprovado uma revisão do plano de negócios, prevendo estudos para venda de refinarias e a privatização da BR Distribuidora, reduzindo a participação da estatal na companhia dos atuais 71,25 para até 40 por cento, segundo duas fontes a par das negociações.

A Reuters também havia adiantado que as refinarias dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro ficariam fora do plano de vendas.

As refinarias que a Petrobras disse nesta sexta-feira que pretende vender ficam em Pernambuco, Paraná (duas unidades), Bahia, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Amazonas e Ceará.

Em um plano anterior para a área de refino, lançado ano passado, ainda sob outra gestão, a empresa previa a venda de 60 por cento da participação em ativos de refino e logística no Nordeste e Sul do país.

Mas o atual presidente da Petrobras, Roberto Castello Branco, vinha defendendo a venda de refinarias inteiras desde pouco após sua posse, como parte de um plano de desinvestimentos mais ousado, que busca deixar a empresa mais focada em petróleo e gás natural, além de contribuir com a redução de sua dívida.

Atualmente, a companhia é responsável por quase 100 por cento da capacidade de refino do Brasil.

Se o novo plano for adiante, a Petrobras irá se desfazer tanto de sua mais nova refinaria quanto da mais antiga do Brasil, ambas no Nordeste.

A RLAM, a mais antiga, foi construída em 1950, “impulsionada pela descoberta do petróleo na Bahia e pelo sonho de uma nação independente em energia“, segundo informações no site da Petrobras.

Já a mais nova, RNEST, iniciou operações em 2014, após longas polêmicas. Inicialmente, havia uma previsão de que a petroleira venezuelana PDVSA fizesse parte do projeto, em acordo com o então presidente Hugo Chávez, mas a parceria não avançou.

Posteriormente, em meio a atrasos e estouros no orçamento, os contratos para a construção da refinaria ainda foram foco de investigações da operação Lava Jato.

A assessoria de imprensa da Petrobras informou, quanto ao fato relevante:

“Os projetos de desinvestimento das refinarias, além do reposicionamento do portfólio da companhia em ativos de maior rentabilidade, possibilitarão também dar maior competitividade e transparência ao segmento de refino no Brasil”.

A empresa não revelou prazos para definir a venda dos ativos anunciados e pontuou que os processos vão seguir a sistemática de desinvestimentos da companhia.

Fontes: Agência Reuters e Investing.com

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