MERCADOS: Enquanto Trump derruba petróleo, Petrobras deixa a Ibovespa no vermelho

Investing.com – Se não é o embate da tramitação da Reforma da Previdência no Congresso em Brasília, é declaração do presidente dos EUA Donald Trump que favorece os ursos no Ibovespa, que sofreu com a forte queda da Petrobras (SA:PETR4), um dos maiores pesos no principal índice acionário brasileiro. As ações da estatal petrolífera despencaram após Trump, nesta sexta-feira, voltar a pressionar os países produtores de petróleo reunidos no cartel da Opep e seus aliados a subirem a produção e diminuir os preços internacionais.

O Ibovespa encerrou o pregão em baixa de 0,33% a 96.236,04 pontos, após se aproximar da queda de 1% no decorrer em sessão com poucas novidades sobre a reforma da Previdência, com o índice acompanhando os desdobramentos do exterior. O dólar desceu 0,62% a R$ 3,9317, favorecido pelos dados do PIB do primeiro trimestre dos EUA divulgados nesta sexta-feira, que vieram acima do consenso, porém com prognósticos incertos sobre a manutenção da atividade econômica.

Reforma da Previdência

Em Brasília, não houve reunião da Comissão Especial, próxima etapa de tramitação da Reforma da Previdência. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, marcou reunião deliberativa da Comissão para as próximas segunda (29) e terça-feira (30).

Se uma delas atingir o quórum mínimo de 50 deputados, começa a contagem de 40 sessões até a aprovação do texto, que pode ser desidratado de sua versão original que prevê economia em 10 anos de R$ 1,2 trilhão, de acordo com consenso do mercado. Caso realmente a contagem se inicia na semana que vem – que, por conta do feriado, terá pouca presença de deputados -, é mais uma injeção de otimismo de avanço da reforma na Câmara.

No radar dos investidores, apenas a repercussão do desconforto dos partidos do Centrão com a escolha do relator. Na quinta-feira, os deputados Marcelo Ramos (PR-AM) e Samuel Moreira (PSDB-SP) foram escolhidos, respectivamente, presidente da Comissão e relator do texto.

Petróleo

Trump voltou a pressionar nesta sexta-feira os países da Opep e aliados a encerrar o corte de oferta de 1,2 milhão de barris por dia até junho e aumentar a produção para que os preços caem. A pressão ocorre na semana que os preços do petróleo atingiram as máximas de 2019 – ainda abaixo do pico de outubro de 2018 – provocado por desdobramentos de sua própria política externa.

No início da semana, o Departamento de Estado e a Casa Branca anunciaram o fim das isenções às sanções americanas a países importadores do petróleo do Irã. As isenções eram resultado das sanções que entraram em vigor em novembro após Trump anunciar, em maio do ano passado, a retirada dos EUA do tratado que limitava o programa nuclear iraniano celebrado durante a administração Obama com cinco países europeus. A alegação de Trump, à época, era que o acordo “era o pior do mundo” e o Irã estava desenvolvendo mísseis balísticos de longo alcance.

Resta saber se a Opep vai atender as reivindicações de Trump para, pelo menos, aumentar a produção para suprir a retirada do petróleo do Irã do mercado. A Arábia Saudita, líder do cartel, atendeu os pedidos semelhantes do presidente americano no ano passado, mas não contavam com a concessão das isenções, que derrubaram a cotação do petróleo WTI de quase US$ 80 em outubro para um piso de US$ 40 na véspera de Natal.

Os sauditas também sofrem a pressão na Opep e aliados a não renovar o corte de produção que possibilitou a retomada dos preços em 2019. A renovação será discutida em reunião da organização em junho, com a Rússia demonstrando oposição a manutenção ou ampliação dos cortes sob a alegação que preços maiores vão possibilitar entrada de novos competidores. Os sauditas apenas respondem que as decisões são para “equilibrar o mercado”, sem apresentar uma posição clara.

Com a pressão de Trump, o petróleo Brent, referência mundial e negociado em Londres, caiu 3,74% a US$ 71,57. O WTI, referência nos EUA e cotado em Nova York, perdeu 3,70% a US$ 62,80.

Petrobras

O complexo cenário petrolífero internacional é um dos formadores de preço na avaliação de risco das ações da Petrobras, que sofreram nesta sexta-feira e segurando o Ibovespa no negativo. A PETR3 (SA:PETR3) caiu 0,88% a R$ 30,39, enquanto a PETR4 despencou 1,98% a R$ 27,25.

Quase no fim do pregão, fontes ouvidas pela Reuters afirmaram que a Petrobras confirmou estudos para a privatização da BR Distribuidora (SA:BRDT3) e da venda de refinarias.

O objetivo da estatal com a distribuidora de combustível é reduzir sua participação de 71,25% para até 40%. Em relação às refinarias, a Petrobras planeja reduzir sua posição de quase monopólica no mercado para uma participação de aproximadamente 50%, segundo o presidente da companhia Roberto Castelo Branco.

Outras ações

A JBS (SA:JBSS3) cedeu 5,71%, um dia após renovar cotação recorde a R$ 20,49, em sessão negativa do setor de proteínas, que tem se valorizado com perspectivas de maior demanda da China diante do surto de febre suína africana naquele país. O Bradesco BBI cortou a recomendação dos papéis da JBS para ‘neutra’, citando a recente valorização, mas manteve o preço-alvo de R$ 19 por papel. Até a véspera, as ações acumulavam em 2019 valorização de 76,79%.

A Sabesp (SA:SBSP3) subiu 4,72%, maior alta do Ibovespa, tendo ainda no radar expectativas relacionadas à Medida Provisória que atualiza o marco legal do saneamento básico. Analistas do Credit Suisse consideraram positivas alterações apresentadas na véspera pelo relator da matéria na comissão mista no Congresso. O desfecho da MP é considerado crucial para selar o destino da companhia de água e esgoto controlada pelo governo paulista.

Fleury (SA:FLRY3) perdeu 6,78% após balanço do primeiro trimestre não empolgar, com lucro líquido de R$ 96,9 milhões, alta de apenas 0,5% ante mesmo período do ano passado. Analistas do Itaú BBA consideraram o resultado inexpressivo.

Magazine Luiza (SA:MGLU3) valorizou-se 2,26%, tendo de pano de fundo reportagem do jornal Valor Econômico de que está negociando com exclusividade a compra da varejista online de vestuário Netshoes. Procurado pela Reuters, o Magazine Luiza não quis comentar. Mais cedo, a B3 pediu esclarecimentos sobre a notícia.

Lojas Renner (SA:LREN3) ganhou 0,87%, em meio à repercussão positiva do balanço do primeiro trimestre, com alta de 12,7% nas vendas mesmas lojas no período. A Brasil Plural destacou que a varejista de moda apresentou crescimento atraente e margens saudáveis.

Exterior

O grande destaque do dia foi a divulgação do PIB do primeiro trimestre dos EUA. A economia americana apresentou um crescimento anualizado de 3,2% no período, acima do consenso de mercado, inclusive da maior expectativa, consultada pela Bloomberg, de 2,9%. Apesar disso, os ursos prevaleceram no mercado com a análise minuciosa dos números, refletido no rendimento de 10 anos do título do Tesouro americano o qual caiu logo após a divulgação, de 2,525% para 2,495%, encerrando o dia a 2,5%.

A forte alta do PIB foi devido a fatores sazonais, como formação de estoque, e menor déficit comercial, que pode ter sido efêmero. Com a desaceleração dos investimentos e consumo das famílias – este é o principal motor da economia dos EUA -, o prognóstico de desaceleração continua no radar dos investidores. Com o núcleo do PCE, também divulgado hoje, abaixo do consenso de mercado, o Fed deve manter a taxa de juros inalterada ao longo de 2019, conforme anunciado na última reunião de política monetária.

Já os índices acionários de Nova York fecharam o dia no azul, influenciado pelos resultados corporativos acima da expectativa do mercado. Dow Jones subiu 0,31%, Nasdaq teve ganhos de 0,34% e S&P 500 cresceu 0,47%.

Fontes: Agência Reuters e Investing.com

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