Aos desajustados que sentem que nasceram na época errada

Já aconteceu isso com você? Uma sensação de desajuste, de não fazer parte, de não se encaixar? De repente bate uma saudade daquilo que nunca viveu, de tempos não conhecidos, uma tristeza por não ter nascido numa época diferente, com valores e hábitos diferentes. Essa sensação pode acontecer a qualquer momento: durante a leitura de um livro, numa festa, ou numa conversa.

 

Você se pergunta para onde foi aquela paquera inocente, o frio na barriga quando seguram sua mão, a mágica do beijo e a importância do sexo. Se questiona porque tudo se banalizou, porque os homens não querem mais conquistar, ou porque as mulheres não querem mais ser conquistadas. Esse sentimento chega devagarinho e quando você se dá conta já está pensando: “aah, se eu tivesse nascido naquela época.”

 

Os desajustados que sentem que nasceram na época errada olham casas antigas e imaginam que história podem ter sido construídas dentro delas. Olhamos casais idosos e pensamos “como eles conseguiram ficar tanto tempo juntos?” É complicado entender isso num tempo onde tudo o que quebra se joga fora. Não estamos na época de consertar nada. São tempos corridos, é o futuro, onde tudo é considerado descartável, inclusive as pessoas.
 

Se não deu certo com aquela pessoa, para que insistir nela se existem tantas outras no tinder, badoo, happn e par perfeito? É o tempo do desapego, tempo do desinteresse, tempo triste…
 

Ah, saudade do que não se viveu quando olhamos uma foto em preto e branco com  mulheres de vestidos compridos e homens de terno, gravata e chapéu, ou quando vemos filmes onde os homens abriam a porta do carro para as mulheres, beijavam sua mão e testa e procuravam a primeira oportunidade para dizer o quanto ela é linda. Que saudade da época em que as mulheres sabiam se comportar como damas e os homens como cavalheiros. Saudade da época que a música tinha algum significado, quando as pessoas se reuniam pessoalmente para conversar sem mexer no celular.

 

Se essa saudade é normal? Não sei… Só sei que seria muito melhor viver numa época em que as pessoas são mais valorizadas do que as máquinas.
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